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MAIA EM FESTA. CANASTRAS FLORAIS
MAIA




SINOPSE

O tema escolhido pelo Município da Maia para registo foi, "As canastras florais maiatas", inseridas no cortejo que se realiza anualmente na freguesia de Nogueira da Maia, localidade onde hoje ainda podemos avistar uma paisagem salpicada de pontos verdes, sinais existentes de ruralidade.



DESCRIÇÃO











[#1] Maia, V. M. d. S. (2011, Janeiro). Santa Maria de Nogueira, Monografia, Volume 1. Nogueira, Maia: Edição de autor. ISBN 978-989-20-2269-7.

[#2] Paulino, F. F. (2013, Dezembro). "Maia em Festa, Canastras Florais". (Maia: Área Metropolitana do Porto 2013), Filme, 18 min.

[#3] Tavares, A. M. M. (1999). Canastras florais maiatas e a religiosidade de um povo (século XIX e XX). Em P. S. Machado e J. A. M. Marques (Eds.), Maia, História Regional e Local, Volume II, pp. 205-225. Câmara Municipal da Maia.

"Nos primórdios destas festividades, era tradição a população oferecer a Nossa Senhora flores, as quais eram transportadas em cestos floridos designados por canastras. Estas canastras, com cerca de um metro de altura, eram feitas em Cana-da-Índia e revestidas a murta e flores naturais, apanhadas nos jardins. Esta tradição que se foi perdendo ao longo dos tempos, foi recuperada nos anos noventa, sendo atualmente um dos pontos altos destas festividades, emprestando à romaria um colorido diferente e vistoso" [#1]. Em Pedras Rubras, Vila de Moreira, existe uma capela que está associada à invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens, protetora da humanidade, onde existe uma forte devoção a Nossa Senhora vinda provavelmente do final da segunda metade do século XVIII, com mais fervor no final do seculo XIX e início do séc. XX.

Festividade que se realiza no mês junho, com missa solene, sermão e procissão onde as canastras florais são incorporadas, com o andar baloiçado das maiatas que as transportam. Mestre Albino, pintor naïf, documentou através das suas simples pinceladas na tela, o colorido das flores e o verde da murta que assentavam numa canastra de fitas grossas de madeira .

A Capela da Nossa Senhora Mãe dos Homens, ficava cheia de cor e de frescura, terá sido neste lugar das Pedras Ruivas (nome da localidade até ao final do século XIX, em desuso no século XX passando a designar-se Pedras Rubras), que as Canastras Florais tiveram o seu esplendor, chegando de toda a freguesia de Moreira e Vila Nova da Telha, depositando-as na porta da Capela, sendo as melhores colocadas dentro no altar-mor.

Segundo Armando Tavares [#3], não é possível identificar uma data precisa para o nascimento desta tradição por falta de documentos escritos que o atestem. Com base em fontes orais, deve ter tido as suas origens nas freguesias de Moreira e de Vila Nova da Telha, segundo afirma mestre Albino "dois séculos envolvem esta tradição de oferecer flores em forma de canastra à Nossa Senhora Mãe dos Homens assim como a Nossa Senhora do Bom Despacho".

A datação cronológica da origem das Canastras Florais Maiatas, é muito difícil de fazer mas, provavelmente deve ter tido o seu início no final do século XVIII, passando de geração em geração, até que chegou ao Mestre Albino, que ainda criança já corria por entre a azáfama da preparação da festividade, e que transportou com ele o interesse por essa tradição, que entretanto se perdeu. Nos finais do ano 1980, a tradição renasce pelas mãos do Mestre Albino. Esta tradição "graças ao Mestre Albino (decorria o ano de 1980) renasce" [#3] com a introdução de um exemplar das canastras no cortejo etnográfico da Maia.

Quando se aproximava a data da festa em Honra da Senhora Mãe dos Homens e da Nossa Senhora do Bom Despacho, padroeira da Terra da Maia, começava uma correria e ajuntamentos nas casas dos organizadores da confeção das canastras. Um grupo de pessoas orientado pelo Mestre Albino, procediam à recolha de flores, murta e outras plantas para uso no enfeite das ruas e dos mastros decorativos, forrados com aquilo que a natureza lhes oferecia.

As canastras, alongadas e baixas, eram armadas com uma estrutura vertical, construída em cana-da-índia e amarrada com fio do norte. Esta estrutura era reforçada com mais canas para a suster do peso da murta (família das mirtáceas), de seguida eram incrustadas flores silvestres existentes na curtinha ou carreiros dos campos, colocadas a gosto, quase sempre com motivos religiosos. As Canastras pesavam cerca de 35 kg. Grupos de homens, mulheres e crianças reuniam-se com antecedência em segredo, para planear como seria a canastra confecionada e enfeitada.

A retransmissão destes saberes quase perdidos, foi organizada em 1994, com a administração de cursos de formação a dois representantes de cada uma das então dezassete (17) freguesias do concelho da Maia e os resultados foram mostrados publicamente com a integração das canastras na procissão em honra da Nossa Senhora do Bom Despacho de 1994 [#3].

A "materialização da fé manifesta-se [...] em oferendas, procissões, Festas e Romarias. As Canastras Florais estão incluídas nesta materialização de fé [...]" [#3].

Em 2013, a construção das canastras, técnicas e materiais empregues, são bastante diferentes dos anos 90 do século XX, nomeadamente devido à dificuldade em encontrar murta suficiente para a elaboração das canastras. As estruturas base são construídas em esferovite à qual são fixadas com alfinetes as decorações. Esta variam tanto em materiais como em estratégias decorativas, embora os materiais mais empregues continuem a ser de origem vegetal. Cada grupo define um tema, mantido em segredo durante toda a fase de planeamento e construção, procedendo à sua realização grosso modo, a cerca de três semanas/um mês das festividades. A motivação para a construção das canastras continua, hoje em dia, a ser de cariz religioso e segundo a tradição, cada grupo representa um lugar de Nogueira da Maia. Uma das dificuldades destes grupos consiste na transmissão de uma tradição que, apesar de ter muitos anos, não é suficientemente apelativa para as gerações mais novas. Para tentar colmatar esta dificuldade, envolveram-se três escolas representativas dos diferentes ciclos de aprendizagem do Agrupamento Vertical do Levante, da freguesia de Nogueira. No entanto, devido a questões de segurança e saúde, dado serem empregues alfinetes e instrumentos de corte, este jovens não participaram na sua construção, mas apenas no cortejo e procissão.

Dado o curto período de construção das canastras, e indisponibilidade temporária de alguns dos informantes, não foi possível registar alguns dos grupos intervenientes durante a construção das canastras florais, no entanto foram todos representados nas suas aparições públicas, no cortejo e na procissão em honra da N. Sra. da Hora. Os grupos que participaram nesta festividade foram nove: Grupo Casal , Grupo Igreja , Grupo Barroso , Grupo Vilar, Grupo Pena, Grupo Rio , Grupo Agrupamento Vertical do Levante constituído pelo Grupo Escola EB2,3 Nogueira , Grupo Escola Monte Calvário Grupo Escola do Barroso . Para além destes participantes, Maria Pureza Barbosa, filha do Mestre Albino, participou com informações sobre a tradição das canastras.

Atualmente, em Nogueira da Maia, apenas se realizam duas festividades, sendo uma delas e a que nos interessa por continuar a integrar as canastras florais, a da Nossa Senhora da Hora, no terceiro domingo de Maio [#1].

Esta festividade iniciou-se devido a um pretenso milagre, que ocorreu com Manoel da Costa e sua esposa Eusébia, do Lugar do Rio. Eusébia, tendo dado uma queda e estando grávida, imploraram a N. Sra. da Hora para que providenciasse e tudo corresse bem. Tendo sido a prece atendida (1876), o marido e pai da criança, mandou esculpir em madeira, uma imagem da N. Sra. que ofereceu à igreja (1877), tendo-se ainda comprometido a realizar as festividades em sua honra. A imagem foi colocada na Capela do Monte Calvário, sendo substituída, mais tarde por uma do mestre santeiro Luciano Thedim.

Atualmente, o cortejo das canastras florais, percorre as ruas centrais entre a Igreja Matriz de Nogueira e a Capela da Sra. da Hora no Monte Calvário, onde ficam expostas para serem admiradas pelos fiéis e público em geral durante uma semana.

O documentário Maia em Festa, Canastras Florais [#2], explora e regista esta realidade, usando como principais informantes os habitantes, maioritariamente de Nogueira da Maia, pertencentes a grupos privados ou institucionais que diretamente participaram nesta atividade. Estes grupos, nove, correspondem a nove lugares representados nas festividades de 2013.



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FOTOGRAFIAS


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Materiais de construção tradicionais: cana da índia.
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Pintura do Mestre Albino (pintor naïf) representando as canastras florais.
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Grupo Igreja.
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Materiais de construção modernos, muito diferentes dos tradicionais.
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Revestindo com murta (mirto).
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Pregando as decorações com alfinetes.
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Detalhe de construção.
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Finalização: cobertura com flores.
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Construção pelo grupo Casal.
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Construção pelo grupo Barroso.
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Processo de construção, o conceito.
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Estrutura base construída em esferovite.
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Processo de construção, detalhe.
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Caderno de esboço.
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Detalhe.
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Preparação para o cortejo: recolha e transporte.
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Preparação para o cortejo: recolha e transporte.
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Preparação para o cortejo: recolha e transporte.
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Preparação para o cortejo: ponto de partida.
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Preparação para o cortejo: ponto de partida.
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Grupo Escola do Barroso.
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Grupo Escola Monte Calvário.
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Grupo Escola EB2,3 Nogueira.
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Procissão em honra da Nossa Senhora da Hora, grupos Rio, Pena, Barroso e Vilar.


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VÍDEOS



Vídeo 1

Versão Normal


Duração:

18:20


Legendas:




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Vídeo 2

Versão Resumida


Duração:

6:12


Legendas:




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BIBLIOGRAFIA

[#1] Maia, V. M. d. S. (2011, Janeiro). Santa Maria de Nogueira, Monografia, Volume 1. Nogueira, Maia: Edição de autor. ISBN 978-989-20-2269-7.

[#2] Paulino, F. F. (2013, Dezembro). "Maia em Festa, Canastras Florais". (Maia: Área Metropolitana do Porto 2013), Filme, 18 min.

[#3] Tavares, A. M. M. (1999). Canastras florais maiatas e a religiosidade de um povo (século XIX e XX). Em P. S. Machado e J. A. M. Marques (Eds.), Maia, História Regional e Local, Volume II, pp. 205-225. Câmara Municipal da Maia.

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